Sunday, March 30, 2008

Cap XIX, pag 14.

As palavras, mais uma vez, atingiram-me. Todos aqueles meus escudos de previsibilidade e auto-protecção caíram, as palavras apanharam-me desprevenida, como sempre me apanham. Bateram no peito com a força típica das frases imperativas, mas com os sentimentos nos quais adornamos com tanta ternura e afinco os pontos de interrogação. Acho que a um dado momento fiquei demasiado segura de mim mesma, determinada de que seria um estado permanente consequente dos teus actos patentes, que aquelas palavras me haviam tirado o balanço das pernas e a cabeça do ar. Eu, no meu espaço-tempo não encontrei nada para ripostar, não tinha argumentos nem factos que me ajudassem. Mas claro! Como podia eu? Se afinal tinhas tudo tão bem esboçado. Quando me dei conta o meu maxilar já se havia descolado de tal forma a ponto de sentir dor e sangue na boca.

"Eu acho que desta vez, Tu, estás confusa."

Como não encontrei nenhuma frase para me defender dessa, tive que recorrer ás falhas óbvias que a frase dele carregava. O verbo achar torna-se tão vago que eu fui-me defendendo e encostando ás premeditações que tanto fazia tuas e que sempre estavam correctas mais tarde, até que num golpe de mestria e destreza levei com as palavras em cima de mim e fiquei ali deitada no meu pensamento.

"Tu estás confusa."

Uma simples alteração gramatical e de repente todo o panorama me deixou prostada. Ali... incompleta de razões. A segurança que dava a mim própria colapsou e a dúvida gerada pelos teus actos e palavras avançou para exterminar o resto. De repente dei por mim no meio entre o certo e o errado, já sozinha da presença delemas acompanhada pela frase, se a frase estivesse certa eu teria de alterar todas as definições de sentimentos pois estariam erradas, e aí eu admito que o grande defeito meu é confundir a arte de sonhar por algo mais, o que apesar de possivelmente não ser o caso se provou demasiado incriminatório. Mas e se ele estiver errado, será que ele vai descobrir isso também? Se ele estiver errado e a minha confusão tivesse sido singular num caso de modo a que não possa ser generalizada, e não sendo generalizada será que ele vai olhar para mim num caso particular? Desculpa-me querido, mas não posso ter certezas quando as dúvidas são as armas...

Ele pode não estar certo e eu posso finalmente perceber que a carne é fraca e que fala pelo corpo como um só, pode realmente não ter toda a certeza quando eu sei o porquê de eu não estar bem numa vida tão madrasta, num mundo tão impróprio para consumo. Posso ainda sentir mazelas e nódoas negras de lesões antigas (e ele também) e isso deixa-me receosa de viver uma vida que ás vezes não pára para analisar e pensar em todas as pequenas coisas que existem apenas para embelezar a paisagem reinante.

“Eu não teimo, mas raios, sei o que está certo para mim!”

Ele pode estar errado pelo simples facto de eu em tudo o que faço ser acima de tudo verdadeira a mim mesma, e se sou relutante ao magoar um ser vivo, sou incapaz de desentrançar todos os emaranhos de fios que compõe o seu coração. Talvez queira ficar bem, mas desde quando isso passou a ser crime? E talvez goste mais do que aquilo que penso, mas se o faço é apenas com a intenção de o fazer ainda mais! As escolhas são o martelo que esculpe o carácter de uma pessoa. Talvez o que me irei lembrar mais destas últimas semanas é que estas foram doces, intensas, predeterminadas, instáveis, incertas e anti-dogmáticas. Nesta altura nada é certo... e mesmo que eu esteja errada isso não significa que ele esteja certo. E daquele momento de silêncio que acompanhou a minha cabeça entre operações cognitivas e dúvidas existenciais enquanto esta procurava respostas lúcidas, eu acredito piamente que não estou confusa porque senão eu não era nem tão forte nem tão determinada. Acredito também que gosto demasiado facilmente, quando me fascinam com alguma particularidade especial, mas não boemiamente e que isso não retira o mérito ao meu amor e romantismo próprios. No meio da dúvida eu preciso de um som, de uma melodia, de uma voz que me sussurre o que é certo e real. Eu não sei... Mas acredito que tu também não o possas afirmar...

O silêncio morre... E eu, durmo.

Saturday, March 29, 2008

Monday, March 24, 2008

R.I.P.

(It is a long wait)

Is there anything?

(For a touchable answer)

Worth looking for?

(Is there any news?)

Worth loving for?

(Is there any word?)

Worth lying for?

(Was there trauma?)

Is there anything?

(Or a struggle?)

Worth waiting for?

(Am I missing?)

Worth living for?

(Or was the body yet found?)

Worth dying for?


I'm dead, today *

[Yeah, one minute of silence, please. Today’s for me.]

Sunday, March 23, 2008

The life of two distant planets.

Venus: Where is this love? I can't see it, I can't touch it. I can't feel it. I can hear it. I can hear some words, but I can't do anything with your easy words.

Mars: Put your cold hands on my chest, feel my heart beating. Can you feel the beats? Can you hear the words that my heart whispers?

Venus: Sorry? There must be a problem with the connection, I stopped hearing you… Hello...? Mars, are you there?

Beep. Beep. Beep… Silence.

Friday, March 14, 2008

Cap XVIII, pag 2.

Estiquei-lhe a mão e perguntei-lhe com voz mélica e olhar irresistivelmente persuasor: “Não queres entrar no meu Mundo de Utopia? Vem viver comigo na vida dos meus sonhos. Tenho tanta felicidade planeada, só preciso de ti para a alcançar. Queres?”

Ela deu-me a mão e trocou o sorriso por um leve carregar de sobrancelha, com indignação mas ternura disse-me que também ela tinha um Mundo de Utopia que sempre havia sonhado partilhar. “Não posso ir contigo, tens que vir tu comigo.”

Respirei fundo, tentei acalmar o rasgão que ela havia provocado, a carne viva que deixara predominar no meu lado esquerdo do peito. Larguei-lhe a mão, o meu corpo foi incapaz de ficar paralisado à dor, a reacção que teve foi de repulsa, pelo menos controlei-a na voz. Dissimulei carinho e paciência no meu timbre e voltei a questioná-la: “Como podes saber que o nosso Mundo de Utopia não é o mesmo?”

Ela começou a chorar, com uma certeza tão imperial que moveu nela a maior força que ate ali eu próprio nunca vira em ninguém! Olhou-me com determinação e lágrimas a embaciarem-lhe aqueles olhos de criança-mulher e atingiu-me com as piores agulhas ao dizer: “Porque querido, se esse fosse o mesmo Mundo para ambos, nunca precisaríamos de perguntar, já estaríamos a vivê-lo desde o início.”

Ela secou as lágrimas e virou costas.

Thursday, March 13, 2008

Wednesday, March 12, 2008

There is a difference between damaged and broken.

He: Love really bores you!
She: No, it disappoints me…

Monday, March 10, 2008

E foi qualquer coisa como isto.

Porque nem interessavam já as noites mal passadas, recortadas de sonhos e impostas a silêncio e nicotina. Um choro desumano, um inquietante soluçar de criança abafado na almofada, era o meu. As lágrimas custavam a cair, envergonhadas ou simplesmente desaprendidas, porque a verdade é que eu já não sabia muito bem como chorar. Havia desaprendido, é provável que devesse estar mal habituada. Um corpo prestes a ser sugado pelo colchão, a ser engolido em peso bruto, espezinhado de frio em lençóis molhados de suor, era o meu. Agora interessava sim, o que adveio dessas insónias prescritas a marcador pela minha saudade tua. Era a tua ausência, e quando não era a tua ausência, era a tua presença. Eram os nervos, a irritação, a impaciência. Paranóia, dizias-me tu. Isto é paranóia. Pois então que seja. Fumei outro cigarro, pudesse ser que ela acabasse por desistir de mim. Encarnei no cigarro que fumava, queimava-me lentamente e via-me expirar em breves minutos. Sobrava de mim fumo e cinza. O resto… o resto era uma beata morta, esmagada contra o cinzeiro. Enroscava-me até ao pescoço, fechava as pálpebras cansadas. Ontem fechava o peito, para a saudade não o magoar mais. Fechei-o como quem fecha um maço. Satisfeita só até ao próximo desejo.